Galegos voltam a dominar Volta a Portugal

Galegos voltam a dominar Volta a Portugal

Depois das cinco vitórias de David Blanco, chegou a vez do galego Alejandro Marque conquistar o ambicionado troféu da Volta a Portugal

Galegos voltam a dominar Volta a PortugalA 75ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta não era só especial por ser a edição diamante da Volta, havia também a esperança que os portugueses voltassem a reinar na principal prova do ciclismo luso , depois do longo reinado do agora retirado David Blanco. Mas ainda não foi desta que um ciclista lusitano voltou a ganhar a Volta e também não foi desta que acabou o domínio galego. A grande vitória é também da equipa OFM-Quinta da Lixa, que no ano de estreia conseguiu o mais difícil e colocou o seu ciclista para sempre na história da prova.

Galegos voltam a dominar Volta a PortugalAo vencer o contra-relógio da 9ª e penúltima etapa, Alejandro Marque garantiu a vitória na mais importante prova de ciclismo do calendário nacional, com quatro segundos de avanço sobre o seu companheiro de equipa e compatriota Gustavo Veloso - também ele um espanhol nascido na Galiza -, enquanto o português Rui Sousa, da Efapel-Glassdrive, terminou na terceira posição, pelo terceiro ano consecutivo, a 50 segundos.  

Habituado a viver na sombra, não foi fácil para o ciclista da OFM-Quinta da Lixa assumir o protagonismo: “Desde o início desta Volta que estive sempre em segundo plano. Quem levou com a pressão toda foi o Gustavo. Isso é complicado, estar sempre na linha da frente da imprensa. Essa vai ser outra faceta difícil de gerir”.

Galegos voltam a dominar Volta a PortugalAlejandro Marque foi pela primeira vez ciclista principal da equipa e mesmo assim o plano A não lhe estava destinado e o galego deu razoe à equipa para optar pelo B. “No contra-relógio também sofri muito. Queria ganhar a etapa. O Gustavo Veloso tinha sido sempre o líder e tínhamos um plano A e um plano B. Tudo estava combinado e trabalhado. Sempre disse que se houvesse duas camisolas amarelas, a outra era para ele. Também merecia esta vitória”, defendeu.

A 10ª e última etapa da 75ª Volta a Portugal em Bicicleta, que ligou vários pontos do concelho de Viseu num percurso de 130 quilómetros, foi conquistada pelo norte-americano Jacob Keough, da United Healthcare, ao completar o percurso em 3:00:38 e bater ao sprint o francês Maxime Daniel, da Sojasun, e o italiano Filippo Baggio, da Ceramica Flaminia.  

Galegos voltam a dominar Volta a PortugalNa chegada a Viseu ficaram também conhecidos os restantes detentores das camisolas. Com a Camisola Vermelha ainda por definir, os principais candidatos fizeram o que puderam para não dar hipóteses aos seus adversários, por isso a 10ª etapa foi discutida com um longo sprint na Avenida da Europa. Manuel Cardoso, da Caja Rural, com o sétimo lugar na etapa conseguiu ainda assim chegar à Camisola Vermelha Banco BIC, referente à classificação por pontos, em igualdade com Rui Sousa, da Efapel/Glassdrive, e Edgar Pinto, da LA Alumínios/Antarte, todos com 85 pontos. O critério de desempate beneficiou quem obteve os melhores resultados em cada uma das 10 etapas e, neste caso, Manuel Cardoso foi o melhor.

As restantes classificações não sofreram alterações. Márcio Barbosa, da LA Alumínios/Antarte, já tinha assegurado na etapa da Torre o título de “Rei da Montanha” e a respectiva Camisola Azul Podium. O melhor jovem foi o cazaque Vladislav Gorbunov, da Astana, que nos últimos dias andou sempre com a Camisola Branca RTP.

Volta pode regressar ao Algarve

Galegos voltam a dominar Volta a PortugalNo final da prova e em jeito de balanço final, Joaquim Gomes disse que espera que a Volta a Portugal em Bicicleta volte à região Sul do país no próximo ano.

Depois de muitas críticas pelo facto de a Volta não passar pela zona Sul do país, o director da prova, em conferência de imprensa, assumiu que o regresso algarvio está nos planos da organização: "Temos um mês de Setembro condicionado às autárquicas, vamos ter de esperar umas semanas pelo rescaldo, mas o nosso desejo é que o Algarve e o Alentejo possam voltar".

Joaquim Gomes destacou ainda as dificuldades que a organização tem superado “com muita arte e engenho" para colocar a maior prova velocipédica nacional na estrada, referindo estar orgulhoso porque, apesar do país estar a atravessar uma grave crise económica, esta edição da Volta "em nada envergonha edições do passado".

texto: Neuza Campina Padrão
fotos: ©Volta a Portugal

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